domingo, 8 de janeiro de 2012
Tudo de novo, nada de novo
E começa tudo de novo. Mas não há novidades naquilo que recomeça.
O Corinthians não explica como vai pagar o seu (o meu, o nosso) estádio (o dinheiro do BNDES ainda não saiu, ninguém falou seriamente sobre o naming right). Também não explicou porque uma parcela ínfima do dinheiro de comercialização dos seus jogadores fica com o clube _destacando que o entra e sai de atletas faz muito bem a empresários e agenciadores, mas não exatamente à saúde pública do clube em si. Não veio a público explicar as razões de ter ganhado uma caixinha de intermediação da Rede Globo de Televisão, segundo o que foi divulgado na blogosfera. E, mesmo com uma dívida monstruosa crescendo a cada ano, faz uma oferta "fora da realidade brasileira" para o meia Montillo (sic, palavras do próprio clube). Talvez feche. Talvez repita os episódios Ganso, Seedorf, Kaká, Tevez e tantos outros que também receberam suas propostas milionárias, mas não vieram.
O Palmeiras já começa o ano com uma crise desnecessária. Pululam nas redes sociais manifestações contra os atos homofóbicos de uma das maiores "torcidas organizadas" do clube. Mas, que ninguém se iluda, também jorram textos de apoio aos dirigentes que não contratam jogadores suspeitos de homossexualidade _embora, no meio desta torcida, existam milhares de homossexuais e no plantel de cada clube, muito provavelmente (basta estudar um pouco de teoria das probabilidades e estatísticas) também.
A aposentadoria do maior ídolo do Palmeiras foi anunciada por um dirigente. São Marcos sumiu. Não falou, não foi visto. Ronaldo passou dois anos no Corinthians. Fez uma dúzia de gols. Atrapalhou o time na reta final do Brasileiro-2010 e esteve em campo no vexame contra o Tolima. Quando se aposentou, deu entrevista coletiva, chorou em frente às câmeras. Atendeu religiosamente cada emissora de televisão. Era (ainda é, por um tempo será) o maior artilheiro da Copa, uma figura nacional. Ok. Marcos também é.
Marcos é campeão do mundo. Querido por todas as torcidas. Passou 19 anos no Palmeiras. Ganhou tudo. Brasileiro, Paulista, Copa do Brasil, Libertadores. Quase tudo. Perdeu o Mundial no Japão. Virou símbolo de um clube. E não apareceu. Não fez o patrocinador aparecer. Num momento em que o clube mais precisa disso.
Os dois maiores tiros do Palmeiras até agora: Diego Tardelli e Carlos Alberto. O primeiro não deu. Sorte do torcedor. O segundo caminha em passos rápidos para a Academia. A esta altura, ninguém mais acredita que dará certo. Talvez o Valdivia esteja feliz. O foco não ficará mais só nele.
O São Paulo tenta, tenta. Mas não consegue. Morre por sua própria arrogância. Prometeu um "presente de Natal" para a torcida. Dois ou três reforços de nome. Deixou ventilar seu interesse em nomes como Nilmar e Montillo. Foi menosprezado publicamente pelo argentino. Não conseguiu até agora trazer ninguém que tire da torcida a sensação de troca de seis por meia dúzia. Ah, mas trouxeram o Cortês, dirá o incauto. Assim como trouxe o Wagner Diniz, o Pimentel, o Juan... os grandes laterais de uma temporada só no Rio de Janeiro e que nunca se adaptam a São Paulo.
Todas as principais deficiências apontadas nos últimos dois anos continuam lá. Falta um lateral direito, falta um segundo atacante, falta um bom zagueiro, falta, principalmente, um camisa dez. E, pelo jeito, vai continuar faltando.
E o Santos...
Ainda está de férias. Mas nas férias percebe-se que a fórmula está desgastada. Ganso e clube não falam mais a mesma língua. Não se especula como o clube fará para consertar seus principais defeitos. Pelo menos o torcedor foi poupado de uma coisa. Depois da piaba que tomou, Muricy não apareceu em nenhum programa de televisão lavando louça e assistindo um jogo qualquer, dizendo que o seu "trabalho não para nunca". Deve estar em casa assistindo ao Barcelona e tentando aprender o que fazer quando se tem um time talentoso nas mãos.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Aqui é trabalho!
Muricy Ramalho é a contradição em pessoa.
Não se pode diminuir os méritos de quem foi quatro vezes campeão brasileiro em um intervalo de cinco anos. Mesmo que tenha tido bons times a sua disposição, é inegável que a construção de defesas sólidas ajuda muito a ser competitivo em torneios de pontos corridos.
Mas Muricy não é Telê Santana. Não é nem o Muricy que gostaria de ser.
Ao longo do dia de ontem, os vaticínios foram muitos. Que o Barcelona é um time de outro planeta e que ninguém no mundo conseguiria detê-lo. Talvez sim, talvez não. O Santos nem tentou.
Muricy passou seis meses dizendo que o mais importante seria jogar. Disputar a partida. Partir para cima. E ver no que dava. Poderia dar numa zebra. Ou poderia dar numa derrota. Na hora H, não fez nada disso. Montou seu tradicional ferrolho, escondeu a escalação dos jogadores, mostrou pouca disposição para o ataque (uma característica que lhe é peculiar), confundiu mais do que explicou.
Expôs publicamente o Santos. De "equipe sensação" do futebol brasileiro a símbolo de um abismo no futebol praticado em apenas uma manhã de domingo.
O Santos de Dorival teria feito melhor. Teria ido para cima. Talvez perdesse dos mesmos 4 a 0 (que, diga-se também, poderiam ter sido 7 ou 8 com extrema facilidade). Mas seus torcedores estariam a lamentar chances perdidas ou momentos parelhos.
Mas o mais importante, para a torcida como um todo, é refletir as declarações do treinador.
Dias atrás, Muricy (para se elogiar, não pensem o contrário) dizia que técnico para ser bom, bom mesmo tinha que vir ao Brasil. Se ganhasse no Brasil era bom. Do contrário, não podia colocar sua mão no fogo.
Mais ou menos assim: Pep Guardiola ganhou Campeonato Espanhol, ganhou Copa dos Campeões, montou uma equipe fantástica. Mas não venceu nenhum Brasileirão. Então bom não é.
Ontem, Muricy dizia o seguinte: "se algum treinador tentar fazer no Brasil o que o Barcelona faz, é morto". O velho discurso covarde. Muricy transfere para nós (torcedores, imprensa), uma culpa que é só dele.
Durante anos, tudo o que a torcida são-paulina pedia era: vai para frente, joga bonito. E Muricy não fazia. Jogou atrás.
Quando chegou ao Santos, reforçou a defesa, construiu seu ferrolho. Ganhou a Libertadores no sufoco e saiu vociferando contra os críticos.
Em um time que tem Neymar, Ganso e Borges, Muricy não joga no ataque porque não quer, porque não sabe, porque tem medo.
Se viesse ao Brasil, Guardiola jogaria no ataque sim. E provavelmente seria campeão se tivesse este time do Santos à disposição. E eu tenho a impressão de que Muricy destruiria este Barcelona se estivesse no seu banco de reservas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O dia em que o Doutor Sócrates comemorou um título do São Paulo
Em 2000, eu comemorei um título do São Paulo junto com Doutor Sócrates, o Magrão, o eterno ídolo corinthiano. É sério. Naquele ano, o Tricolor empatou a decisão com o Santos, em 2 a 2, e ganhou o Campeonato Paulista. Após eu ter participado da cobertura do jogo final no Morumbi, a Folha me despachou para cobrir a festa da conquista num bar do Itaim, em São Paulo. Fui com o Ricardo Perrone (hoje no UOL), velho companheiro.
Nós conhecíamos o Magrão desde quando trabalhávamos na sucursal de Ribeirão Preto e o víamos com freqüência nos bares da cidade. Já tínhamos tido várias oportunidades (que não desperdiçamos) de reverenciar o mito da democracia e da seleção de 1982. Mas encontrá-lo na festa do São Paulo era bem esquisito. Enquanto ainda aguardávamos a liberação da diretoria do São Paulo na entrada do Bar Des Arts, ouvimos a voz eloquente do Doutor escapando do salão principal, e o Perrone falou “Não, não é possível”.
Mas era, juro que era, cena inesquecível: o Doutor de copo na mão e faixa comemorativa do São Paulo amarrada na cabeça! Não acreditei. Eu tinha praticamente pedido para cobrir a festa, primeiro por ser são-paulino e depois para tentar dar um abraço no Raí, ídolo do Tricolor que havia retornado da França e, como de costume, levantado mais caneco. O mais legal é que o Sócrates, sujeito de coração largo, tinha tido ideia igual. Ele estava lá por causa do irmão caçula, queria brindar a conquista dele.
Nos aproximamos da mesa sem cerimônia, e o Magrão gritou “Ô Gordão, você por aqui?”, era assim que ele chamava o Perrone, naquela época acima dos 100 quilos. “Fala, Magrão”, respondemos. “O que vocês estão fazendo aqui em São Paulo?”, quis saber ele. “Viemos pra a sede da Folha”, o Perrone respondeu. E aí o Magrão mandou: “Então vocês entraram numa Frias, hehehe”.
Ao longo daquela noite, nos revezamos entre fazer nosso trabalho e ficar de olho no Magrão. Concluídas as apurações, enviados os textos para a redação, nos sentamos na mesa dele. E aí foi só diversão. Sócrates disparou frases memoráveis: “Não quero uísque. Festa do São Paulo é assim, só uísque. Se fosse vitória do Timão, era espetinho de carne e chope na casa do Biro-Biro. Aqui não tem cerveja?”. Um garçom saiu correndo e voltou com um balde lotado de Heineken long neck: “Achei isso pro senhor, sou corinthiano!”, disse o homem ao entregar as brejas ao Doutor.
Raí passou pela mesa diversas vezes. Em todas, abraçou e foi abraçado pelo irmão. Beijou e foi beijado pelo irmão. Sócrates fazia piadas com ele. Dizia que o caçula da Dona Guiomar era a melhor coisa que a família tinha produzido em termos estéticos e futebolísticos. Nem o Raí acreditava. Quando tocaram o hino do São Paulo, os dois se abraçaram e cantaram juntos. O irmão mais velho dava um belo exemplo de amor e carinho.
Pô, mas era o hino do São Paulo!, poderá dizer um corinthiano mais fanático. Sócrates estava muito acima dessa rivalidade recentemente extrapolada pelos imbecis. Até o garçom corinthiano se emocionou.
No final da noite, um rapaz se aproximou da mesa, onde ouvíamos a milésima história do Doutor. “Meu tio jogou com você”, disse ele ao Sócrates. “Meu tio era o Picolé”, continuou. O Magrão mirou o rapaz, abriu um sorriso e mandou: “Então você deve ser o sundae de chocolate. Senta aqui, cara”.
Alberto Bombig, são-paulino, fã do Sócrates e jornalista.
Nós conhecíamos o Magrão desde quando trabalhávamos na sucursal de Ribeirão Preto e o víamos com freqüência nos bares da cidade. Já tínhamos tido várias oportunidades (que não desperdiçamos) de reverenciar o mito da democracia e da seleção de 1982. Mas encontrá-lo na festa do São Paulo era bem esquisito. Enquanto ainda aguardávamos a liberação da diretoria do São Paulo na entrada do Bar Des Arts, ouvimos a voz eloquente do Doutor escapando do salão principal, e o Perrone falou “Não, não é possível”.
Mas era, juro que era, cena inesquecível: o Doutor de copo na mão e faixa comemorativa do São Paulo amarrada na cabeça! Não acreditei. Eu tinha praticamente pedido para cobrir a festa, primeiro por ser são-paulino e depois para tentar dar um abraço no Raí, ídolo do Tricolor que havia retornado da França e, como de costume, levantado mais caneco. O mais legal é que o Sócrates, sujeito de coração largo, tinha tido ideia igual. Ele estava lá por causa do irmão caçula, queria brindar a conquista dele.
Nos aproximamos da mesa sem cerimônia, e o Magrão gritou “Ô Gordão, você por aqui?”, era assim que ele chamava o Perrone, naquela época acima dos 100 quilos. “Fala, Magrão”, respondemos. “O que vocês estão fazendo aqui em São Paulo?”, quis saber ele. “Viemos pra a sede da Folha”, o Perrone respondeu. E aí o Magrão mandou: “Então vocês entraram numa Frias, hehehe”.
Ao longo daquela noite, nos revezamos entre fazer nosso trabalho e ficar de olho no Magrão. Concluídas as apurações, enviados os textos para a redação, nos sentamos na mesa dele. E aí foi só diversão. Sócrates disparou frases memoráveis: “Não quero uísque. Festa do São Paulo é assim, só uísque. Se fosse vitória do Timão, era espetinho de carne e chope na casa do Biro-Biro. Aqui não tem cerveja?”. Um garçom saiu correndo e voltou com um balde lotado de Heineken long neck: “Achei isso pro senhor, sou corinthiano!”, disse o homem ao entregar as brejas ao Doutor.
Raí passou pela mesa diversas vezes. Em todas, abraçou e foi abraçado pelo irmão. Beijou e foi beijado pelo irmão. Sócrates fazia piadas com ele. Dizia que o caçula da Dona Guiomar era a melhor coisa que a família tinha produzido em termos estéticos e futebolísticos. Nem o Raí acreditava. Quando tocaram o hino do São Paulo, os dois se abraçaram e cantaram juntos. O irmão mais velho dava um belo exemplo de amor e carinho.
Pô, mas era o hino do São Paulo!, poderá dizer um corinthiano mais fanático. Sócrates estava muito acima dessa rivalidade recentemente extrapolada pelos imbecis. Até o garçom corinthiano se emocionou.
No final da noite, um rapaz se aproximou da mesa, onde ouvíamos a milésima história do Doutor. “Meu tio jogou com você”, disse ele ao Sócrates. “Meu tio era o Picolé”, continuou. O Magrão mirou o rapaz, abriu um sorriso e mandou: “Então você deve ser o sundae de chocolate. Senta aqui, cara”.
Alberto Bombig, são-paulino, fã do Sócrates e jornalista.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Vale a festa

É surrado, é chavão, mas é o melhor que se pode dizer: uma imagem vale mais do que mil palavras.
A imagem foi é de autoria de Rahel Patrasso/Frame/Folhapress.
Foi clicada no momento em que o Itaquerão foi anunciado como sede da abertura do Mundial.
Itaquerão é uma obra de construção de um estádio para 45 mil pessoas, com um puxadinho para fazerem caber mais ou menos 60 mil. As obras começaram em fevereiro deste ano. Quem está construindo é a Odebrechet. O presidente do Conselho do Corinthians diz que ainda não há contrato assinado, mas que já foram gastos uns R$ 50 milhões até o momento. O custo total vai passar de R$ 1 bilhão, nas palavras do próprio presidente corinthiano, Andres Sanchez. Sanchez disse, em depoimento gravado pela revista Època, que um dia que contarem direito esta história (até agora ninguém contou), pode ficar desconfortável para o ex-presidente Lula.
O ex-presidente é corinthiano e pelo que a matéria da Època descreveu fala ao celular constantemente com Sanchez. Deve ser verdade. Lula participou da cerimônia que deu início à construção do estádio, na zona leste da cidade.
Boa parte do estádio vai ser financiado com dinheiro público, por meio do BNDES (banco de fomento). Isso significa que, com o imposto que o governo arrecada, o banco empresta para obras consideradas prioritárias e que tragam desenvolvimento ao país. Os prazos são mais amplos e os juros são bem menores do que os de mercado. Se quem tomou não pagar, a conta vai para a Viúva.
O BNDES ainda não emprestou porque não há garantias de que o empréstimo será pago. Uns dizem que é a empreiteira que vai pagar, outros que será o Corinthians. O Corinthians tem R$ 200 milhões em dívidas, mas é inegável que hoje é a marca que mais vende no Brasil. Tem uma torcida grande, cobra ingressos caros (é campeão de arrecadação no futebol brasileiro da Série A) e conseguiu um senhor contrato de direitos de transmissão com a Rede Globo, além de cotas grandes de patrocínio.
Corinthians e Flamengo são os clubes mais bem pagos pela televisão, muitos degraus acima dos demais. O presidente do Corinthians já chamou os dirigentes da Globo de gangsteres. O dirigente é aliado de primeira hora de Ricardo Teixeira, presidente da CBF. A CBF é quem comanda o calendário do futebol brasileiro. O presidente da CBF tinha boas relações com a Globo. A proposta da Record para os clubes de futebol era reconhecidamente melhor, mas a CBF e o Corinthians ajudaram a implodir e a fechar com a Globo. Os clubes ganharam menos, mas ficaram na emissora líder. Dizem que foi tudo calculado: a exposição na Globo vale mais para os patrocinadores. Uma conta compensaria a outra. Além do quê, mais gente vê o jogo. Fica mais fácil de conseguir torcedor.
Só o dinheiro do BNDES não paga o estádio do Corinthians no preço que ele está sendo divulgado. Estádios na Europa, cuja mão de obra é mais cara, foram construídos por menos da metade deste valor. Outras arenas do Mundial vão custar bem menos. Mas este é o preço do estádio Itaquerão.
Como ninguém quer assinar o cheque, os governos do Estado e a Prefeitura fizeram uma série de concessões. Quem investir no estádio não precisa pagar imposto. A própria obra terá uma estrutura diferenciada de cobrança de taxas e tributos. É uma boa troca, a princípio. Serão mais ou menos R$ 420 milhões em concessões.
Isso significa que os governos abrem mão de receita para que os empresários possam investir numa obra. O estádio terá um dono privado, que vai ganhar dinheiro o resto da vida com isso.
Não foi deixado claro quem já aderiu e está colocando dinheiro no estádio, nem bem quais serão as contrapartidas do governo.
Sabe-se que haverá uma série de obras no entorno. Isso é muito bom. A região nunca foi, historicamente, bem atendida pelos governo. Dizem, sem comprovação, que a Odebrecht vai fazer estas obras. Se isso for verdade, a fiscalização dos valores das obras deveria ser muito rígida. Sem insinuações. Para o bem da própria construtora. Não basta ser honesta, tem que parecer honesta.
Mas quem fiscaliza obras no munícipio é o TCM (Tribunal de contas), cujos membros são colocados lá pelo prefeito, Gilberto Kassab. O prefeito está em níveis muito baixo de popularidade, segundo institutos de pesquisa. A avaliação da população é que ele não faz bem o que deveria.
Talvez tenha contribuído para isso o fato de que ele esteja se dedicando muito à criação de um novo partido, onde ele mesmo vai mandar. Esta sigla se chama PSD. Ela nasce para ser um partido que não é de centro, nem de direita, nem de esquerda. Ou seja, abraça tudo e a todos.
Ele é considerado um gênio político. Com este partido, atraiu um monte de gente que estava na oposição, mas louco para ser governo. E gente que se achava maltratada e que hoje em dia queria poder ter a chance de dialogar, pedir espaço, pedir verba ou sei lá o quê.
Kassab apoiou Serra, de quem era apadrinhado, para presidente em 2010. Mas agora diz que pode apoiar Dilma em 2014.
Kassab dizia que não haveria dinheiro público para a construção de estádios em São Paulo. Esta promessa ele não manteve.
Ele também fez outras promessas que não foram cumpridas. Por isso talvez sua popularidade esteja baixa. Mesmo assim, ele entende que conseguirá fazer seu próprio sucessor no ano que vem. Para isso, precisa de um bom legado, aparecer bem nas fotos e precisa de financiamento. Construtoras foram grandes financiadoras de suas campanhas passadas.
Kassab não está sozinho, porém. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também dizia que não haveria dinheiro público na construção do estádio do Mundial. Alckmin aparentemente mudou de ideia. Em 2008, Alckmin achava que Kassab era um mau prefeito. Tanto que se candidatou à Prefeitura, mesmo não sendo esta a ideia do seu partido, o PSDB. Aparentemente, Alckmin mudou de ideia e de opinião.
Andres Sanchez, Alckmin e Kassab comemoram a vitória do Itaquerão como estádio para sediar o Mundial, em um descampado onde hoje não existe nada e daqui a três anos, R$ 1 bilhão e muitas perguntas sem respostas haverá um bonito e particular complexo esportivo.
E as pessoas poderiam se indignar, cobrar explicações ou achar que isso não é exatamente legal. Mas ninguém está muito interessado. O que vale é a festa.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Triplo empate
Não são pequenas as chances de o Campeonato Brasileiro de 2012 terminar, pela primeira vez na história, com dois (ou mais) times empatados em número de pontos na parte de cima da tabela, fazendo com que o campeão seja decidido por critérios de desempate (vitórias, saldo de gols e tudo o mais).
A perspectiva é que o campeão faça algo em torno de 72-73 pontos.
Os confrontos mais decisivos desta reta final do campeonato serão Vasco x Corinthians, Vasco x São Paulo e os clássicos estaduais, além de Botafogo x Santos.
Como manda estes dois confrontos em casa, há um leve favoritismo para a equipe cruz-maltina para este sprint final do Brasileirão.
Dois cariocas e dois paulistas devem formar o batalhão que seguirá para a Libertadores.
A perspectiva é que o campeão faça algo em torno de 72-73 pontos.
Os confrontos mais decisivos desta reta final do campeonato serão Vasco x Corinthians, Vasco x São Paulo e os clássicos estaduais, além de Botafogo x Santos.
Como manda estes dois confrontos em casa, há um leve favoritismo para a equipe cruz-maltina para este sprint final do Brasileirão.
Dois cariocas e dois paulistas devem formar o batalhão que seguirá para a Libertadores.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O meu 11 de Setembro
Pela manhã, tudo o que eu conseguia pensar é que não queria estar na pele dos meus colegas de Política. Afinal, aquela terça-feira prometia uma série de questionamentos difíceis acerca da morte do então prefeito de Campinas, ocorrida na noite anterior.
Eu tinha meus próprios problemas para lidar. Trabalhava como editor-assistente de Dinheiro (hoje Mercado) na Folha em um ano especialmente complicado: racionamento de energia elétrica e crise na Argentina consumiram várias horas de trabalho, longos finais de semana e grandes esforços ao longo de todo aquele 2001.
Às 08 horas, como acontecia todos os dias, entramos para a reunião da pauta, conduzida pela competente Cleusa Turra. Ali, discutíamos os furos tomados no dia, fazíamos uma avaliação de cada caderno e discutíamos as prioridades editoriais da Folha de S.Paulo para o dia seguinte.
Os representantes de cada caderno (Ilustrada, Esporte, Cotidiano e assim por diante) iam proferindo suas pautas, seus investimentos para o dia, mas todos sabíamos que a atenção naquela manhã ficaria direcionada mesmo para a pauta político-policialesca.
O mundo era diferente. Naquela manhã, nenhum dos presentes portava um smartphone, nem mesmo um laptop. Por isso, coube à Gabriela Wolthers, representante da Sucursal do Rio, que estava participando da reunião por telefone (enquanto acessava computador e tinha uma tela de televisão a sua frente), avisar: um avião bateu no World Trade Center.
Não sei quanto aos outros, mas a imagem que veio à minha mente foi a de um monomotor qualquer que se perdeu por Manhattan e se chocou contra as estruturas de aço gigantescas. Acho que mais gente pensou assim, pois a reunião continuou. Cleusa apenas pediu que o representante do Mundo saísse, fosse para a redação para avisar ao correspondente e ver do que se tratava.
Cinco minutos depois, Gabriela insistiu. Talvez fosse melhor encerrar a reunião, porque a coisa parecia séria.
Corri para uma tela de TV mais próxima. Tinha interesses óbvios. Um mês antes, havia estado bem ali. Fora uma viagem em meio a um MBA, com vários colegas. Aproveitamos a estada em Nova York (uma das pernas de uma viagem que cortou o país) para visitar um antigo colega da Folha, Mauricio Esposito, que trabalhava no então Wall Street Journal. Almoçamos ali no World Trade Center numa tarde quente de agosto.
Havia sido correspondente da Folha em Nova York entre 1998 e 1999. Todas aquelas paisagens ainda eram muito frescas e vividas em minha memória.
A primeira imagem que vi na televisão foi a de um avião batendo na torre. "Ué, conseguiram filmar o acidente?". Pela legenda da CNN, porém, percebi que se tratava de um segundo choque: America under attack.
Isso mudou definitivamente o estado de espírito. Não me pergunte como, mas em questão de minutos a redação, que costumava ficar vazia nas primeiras horas da manhã, estava cheia, lotada.
Algumas pessoas foram chamadas, outras simplesmente apareceram. Sabíamos que o dia seria histórico, talvez infernal, mas algo incrível acontecia na Folha nestas horas: ela se agigantava ainda mais.
O mestre Mauro Zafalon chamou a atenção: a torre caíra. Com a pretensão de quem tinha 25 anos de idade, quis dar uma lição a ele: impossível, aquilo não cai, imagina...
Àquela altura, deveria já ter aprendido a ficar calado. Caíra sim.
Uma reunião com vários profissionais foi convocada de urgência. Entramos de novo na sala em que até poucos minutos antes estávamos discutindo um mundo que já não existia mais.
Até hoje me lembro da coragem da então editora-executiva Eleonora de Lucena. As 10h e pouco da manhã ela já tinha na cabeça não só a perspectiva histórica daquele dia (a nossa capa estará pendurada nesta sala, dizia, apontando para uma sequência de Primeiras Páginas históricas da Folha que ornamentavam o local), como vaticinou: não existem cadernos, não existe divisão _a Folha do dia 12 de setembro seria praticamente uma só, sobre o ocorrido.
O jornal foi dividido em editorias. Uma para cuidar dos brasileiros em NY, uma para os relatos do local, uma para os feridos e mortos, uma para artigos e entrevistas, uma para colocar a questão em perspectivas políticas, outra para os efeitos econômicos.
Fiquei responsável por fazer todos os infográficos daquela edição. Poderia chamar quem quisesse. Formei um dream team: Fabiola Salani, José Alan Dias, Cristiano Pombo.
Decidimos, com a experiência que tínhamos e auxiliado pelos editores de Arte, quais seriam as prioridades. Uma página central com o minuto a minuto dos atentados, a queda das torres, os resgates. Infográficos sobre os demais atentados pelos EUA. Artes que mostravam a repercussão no mundo financeiro (ouro subindo, cotação do petróleo indo a loucura, Bolsas derretendo). Como eram os aviões, quais eram as rotas. Um volume de trabalho insano. O pior é que o dia era marcado por boatos e informações desencontradas. Um avião que caira em Orlando, um ataque a missil contra a Casa Branca...
Além das artes, palpitei em tudo. A Redação estava surpreendemente em ordem, em meio ao caos. Cada um sabia o que tinha que fazer. Renata Lo Prete escolhia as melhores palavras para o que chamamos de lidão: o resumo histórico, o texto que sintetizaria o que foi aquele dia (e tente descrever o 11 de Setembro em apenas alguns centímetros).
Lucia Boldrini, Vinicius Torres Freire, Neivaldo José Geraldo comandavam um time talentoso, que ajudava a explicar não só o impacto para a economia americana, mas como isso poderia afetar a então cambaleante produção brasileira.
Ana Estela ajudava a fazer a Primeira Página, palpitava nas fotos, incentivava a todos. José Henrique Mariante tentava colar aquele mundo de gente, de informação, unir as peças diversas.
Hoje, dez anos depois, ainda existem informações e interpretações desencontradas sobre aquele dia. Cada um se lembra do que fez, aonde estava e como foi afetado pelo ignóbil atentando. Eu me lembro que trabalhei 17 horas seguidas, mas tive a maior aula de jornalismo de toda minha carreira. Sou grato aos que me ensinaram.
Eu tinha meus próprios problemas para lidar. Trabalhava como editor-assistente de Dinheiro (hoje Mercado) na Folha em um ano especialmente complicado: racionamento de energia elétrica e crise na Argentina consumiram várias horas de trabalho, longos finais de semana e grandes esforços ao longo de todo aquele 2001.
Às 08 horas, como acontecia todos os dias, entramos para a reunião da pauta, conduzida pela competente Cleusa Turra. Ali, discutíamos os furos tomados no dia, fazíamos uma avaliação de cada caderno e discutíamos as prioridades editoriais da Folha de S.Paulo para o dia seguinte.
Os representantes de cada caderno (Ilustrada, Esporte, Cotidiano e assim por diante) iam proferindo suas pautas, seus investimentos para o dia, mas todos sabíamos que a atenção naquela manhã ficaria direcionada mesmo para a pauta político-policialesca.
O mundo era diferente. Naquela manhã, nenhum dos presentes portava um smartphone, nem mesmo um laptop. Por isso, coube à Gabriela Wolthers, representante da Sucursal do Rio, que estava participando da reunião por telefone (enquanto acessava computador e tinha uma tela de televisão a sua frente), avisar: um avião bateu no World Trade Center.
Não sei quanto aos outros, mas a imagem que veio à minha mente foi a de um monomotor qualquer que se perdeu por Manhattan e se chocou contra as estruturas de aço gigantescas. Acho que mais gente pensou assim, pois a reunião continuou. Cleusa apenas pediu que o representante do Mundo saísse, fosse para a redação para avisar ao correspondente e ver do que se tratava.
Cinco minutos depois, Gabriela insistiu. Talvez fosse melhor encerrar a reunião, porque a coisa parecia séria.
Corri para uma tela de TV mais próxima. Tinha interesses óbvios. Um mês antes, havia estado bem ali. Fora uma viagem em meio a um MBA, com vários colegas. Aproveitamos a estada em Nova York (uma das pernas de uma viagem que cortou o país) para visitar um antigo colega da Folha, Mauricio Esposito, que trabalhava no então Wall Street Journal. Almoçamos ali no World Trade Center numa tarde quente de agosto.
Havia sido correspondente da Folha em Nova York entre 1998 e 1999. Todas aquelas paisagens ainda eram muito frescas e vividas em minha memória.
A primeira imagem que vi na televisão foi a de um avião batendo na torre. "Ué, conseguiram filmar o acidente?". Pela legenda da CNN, porém, percebi que se tratava de um segundo choque: America under attack.
Isso mudou definitivamente o estado de espírito. Não me pergunte como, mas em questão de minutos a redação, que costumava ficar vazia nas primeiras horas da manhã, estava cheia, lotada.
Algumas pessoas foram chamadas, outras simplesmente apareceram. Sabíamos que o dia seria histórico, talvez infernal, mas algo incrível acontecia na Folha nestas horas: ela se agigantava ainda mais.
O mestre Mauro Zafalon chamou a atenção: a torre caíra. Com a pretensão de quem tinha 25 anos de idade, quis dar uma lição a ele: impossível, aquilo não cai, imagina...
Àquela altura, deveria já ter aprendido a ficar calado. Caíra sim.
Uma reunião com vários profissionais foi convocada de urgência. Entramos de novo na sala em que até poucos minutos antes estávamos discutindo um mundo que já não existia mais.
Até hoje me lembro da coragem da então editora-executiva Eleonora de Lucena. As 10h e pouco da manhã ela já tinha na cabeça não só a perspectiva histórica daquele dia (a nossa capa estará pendurada nesta sala, dizia, apontando para uma sequência de Primeiras Páginas históricas da Folha que ornamentavam o local), como vaticinou: não existem cadernos, não existe divisão _a Folha do dia 12 de setembro seria praticamente uma só, sobre o ocorrido.
O jornal foi dividido em editorias. Uma para cuidar dos brasileiros em NY, uma para os relatos do local, uma para os feridos e mortos, uma para artigos e entrevistas, uma para colocar a questão em perspectivas políticas, outra para os efeitos econômicos.
Fiquei responsável por fazer todos os infográficos daquela edição. Poderia chamar quem quisesse. Formei um dream team: Fabiola Salani, José Alan Dias, Cristiano Pombo.
Decidimos, com a experiência que tínhamos e auxiliado pelos editores de Arte, quais seriam as prioridades. Uma página central com o minuto a minuto dos atentados, a queda das torres, os resgates. Infográficos sobre os demais atentados pelos EUA. Artes que mostravam a repercussão no mundo financeiro (ouro subindo, cotação do petróleo indo a loucura, Bolsas derretendo). Como eram os aviões, quais eram as rotas. Um volume de trabalho insano. O pior é que o dia era marcado por boatos e informações desencontradas. Um avião que caira em Orlando, um ataque a missil contra a Casa Branca...
Além das artes, palpitei em tudo. A Redação estava surpreendemente em ordem, em meio ao caos. Cada um sabia o que tinha que fazer. Renata Lo Prete escolhia as melhores palavras para o que chamamos de lidão: o resumo histórico, o texto que sintetizaria o que foi aquele dia (e tente descrever o 11 de Setembro em apenas alguns centímetros).
Lucia Boldrini, Vinicius Torres Freire, Neivaldo José Geraldo comandavam um time talentoso, que ajudava a explicar não só o impacto para a economia americana, mas como isso poderia afetar a então cambaleante produção brasileira.
Ana Estela ajudava a fazer a Primeira Página, palpitava nas fotos, incentivava a todos. José Henrique Mariante tentava colar aquele mundo de gente, de informação, unir as peças diversas.
Hoje, dez anos depois, ainda existem informações e interpretações desencontradas sobre aquele dia. Cada um se lembra do que fez, aonde estava e como foi afetado pelo ignóbil atentando. Eu me lembro que trabalhei 17 horas seguidas, mas tive a maior aula de jornalismo de toda minha carreira. Sou grato aos que me ensinaram.
Reta final
Se há uma palavra que define bem quem tende a ser o campeão brasileiro de 2011 é a constância. Termo que as vezes é mal entendido, pois constância não significa apenas regularidade boa (ganhar sempre), mas sim repetir os acertos no momento certo e saber errar no momento errado.
No bolo de cima, o Corinthians aparece ainda à frente, apesar de todas as suas próprias tentativas de se sabotar. Mas seguido por times que não têm poder de decisão, nem de chegada. A última rodada mostrou resultados absolutamente normais: o Coritiba ganhar do Botafogo (apesar do placar elástico), o Vasco empatar com o perigoso (jogando em casa) Figueirense, o Grêmio bater o São Paulo no Olímpico (acabando com este mito de que pode-se perder pontos no Morumbi pois se recupera fora, o que é uma sandice) e o Fluminense ascendente sobrepassar o Corinthians.
Olhando para a frente, com exceção dos próximos dez dias, a tabela sinaliza vida mais confortável ao Corinthians que aos seus adversários.
Fazendo uma projeção sem nenhum critério científico mas pensando no que já ocorreu neste campeonato, há de se imaginar que o campeão brasileiro será definido por aquele que conseguir somar entre 69 e 71 pontos. Pela quantidade de jogos em casa, pela tabela espinhosa dos adversários, o alvinegro paulista é ainda o maior favorito ao título. Basta manter esta constância do campeonato _ganhar uma e até perder vez ou outra.
No bolo de cima, o Corinthians aparece ainda à frente, apesar de todas as suas próprias tentativas de se sabotar. Mas seguido por times que não têm poder de decisão, nem de chegada. A última rodada mostrou resultados absolutamente normais: o Coritiba ganhar do Botafogo (apesar do placar elástico), o Vasco empatar com o perigoso (jogando em casa) Figueirense, o Grêmio bater o São Paulo no Olímpico (acabando com este mito de que pode-se perder pontos no Morumbi pois se recupera fora, o que é uma sandice) e o Fluminense ascendente sobrepassar o Corinthians.
Olhando para a frente, com exceção dos próximos dez dias, a tabela sinaliza vida mais confortável ao Corinthians que aos seus adversários.
Fazendo uma projeção sem nenhum critério científico mas pensando no que já ocorreu neste campeonato, há de se imaginar que o campeão brasileiro será definido por aquele que conseguir somar entre 69 e 71 pontos. Pela quantidade de jogos em casa, pela tabela espinhosa dos adversários, o alvinegro paulista é ainda o maior favorito ao título. Basta manter esta constância do campeonato _ganhar uma e até perder vez ou outra.
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