domingo, 28 de março de 2010

Fatos e versões

E o quebra-cabeça vai sendo montado.
* O diretor do Corinthians teve uma reunião com a diretoria do São Paulo para tratar do aluguel do Morumbi (mais espaço, mais conveniente) para jogos do alvinegro pela Libertadores. O clube são-paulino aceitou com uma condição: só na primeira fase. Medo de quebra-quebra em caso de uma eliminação. O presidente do Corinthians diz que não há esta hipótese. Mas não nega a conversa. Conversa de louco. Primeiro: o SP poderia alugar o estádio e impor um seguro. Segundo: um diretor do Corinthians vai conversar com o São Paulo sobre aluguel do estádio e o presidente não sabe? Terceiro: quando conveniente, os dirigentes fingem amnésia para não desdizer o conveniente discurso adotado para sua torcida _a organizada_, que lhe garante sustentação política.
O Corinthians não vai mandar seus jogos no Morumbi. Em caso de eliminação na Libertadores, terá que encarar o Pacaembu (e as memórias de 2006 ainda estão muito vivas). E o presidente do clube, que até se filiou a partido político mostrando saber jogar o jogo de ocasião, vai continuar mantendo um discurso para fora e outro para dentro.
Informações adicionais: o SP alega ter avisado os clubes de que, por razões contratuais, o Morumbi não poderia mais ser dividido de maneira igual nos clássicos em que tivesse o mando de jogo; isso não foi um problema para outras equipes; na questão do aliciamento de jogadores da base, a Justiça vem dando sistematicamente ganho de causa ao clube do Morumbi.

quinta-feira, 25 de março de 2010

São Paulo não será campeão da Libertadores

Pode ser. Mas desde que muita coisa mude.
Em 2005, a equipe começou o ano apenas mediana. Terminou o ano como campeã do mundo.
Mineiro, Josué, Cicinho e até Lugano eram jogadores vistos como mais do mesmo. Viraram heróis.
Luizão e Amoroso eram atletas associados a decadência. Conseguiram escrever seus nomes no panteão dos grandes craques tricolores.
O que aconteceu? Simples. Formou-se um time que jogou, jogou, jogou. Repetiu, treinou, enfrentou adversidades, ganhou corpo, estilo, coerência, se forjou nas dificuldades. O São Paulo que derrotou o River Plate nas semifinais da Libertadores aprendeu a não desistir quando virou uma partida impossível diante do São Caetano, pelo Paulista. O tricolor que eliminou o Palmeiras em duas partidas duríssimas foi o mesmo que bateu o Corinthians-MSI em um Morumbi lotado, com direito a defesa de pênalti por parte do Rogério Ceni. O clube que passou por cima do Tigres era o mesmo que matava os adversários nos campos do interior paulista. A equipe que conquistou a América teve que ter a humildade de se calibrar diante de adversários locais.
Montar um time, jogar junto e ter vontade de vencer são condições que se formam em determinado momento e dão resultado lá na frente. Hoje, o São Paulo faz tudo diferente. Pagará o preço mais dia menos dia.

X da questão

Pegue o time do Santos do ano passado e compare com o que o deste ano está fazendo.
Faça a mesma coisa com o time do Vasco.
E abra uma champanhe para comemorar o nascimento de um grande treinador.

Caldeirão

Uma coisa é chegar ao clube com status de ídolo mundial, fazer seus gols e, numa equipe bem postada, chegar aos títulos. Isso até abre espaço para juras de amor e promessas de aposentadoria no clube de que mais gostou. Tudo é festa, a vida é boa, os adversários são fracos, a expectativa era pequena.
Outra coisa é a chapa fervendo. A torcida quer a Libertadores, e Ronaldo terá que entregar. O que está acontecendo agora é apenas o começo de uma grande pressão a que o time será submetido até o fim do torneio continental. Ronaldo disse ter as costas largas e o dedo médio grande. Aguardem a resposta para os próximos dias. Poderá vir na forma de gols (não seria surpresa) ou desleixo (uma vez que seu sonho de ir a Copa foi sepultado de vez).

Queriam o quê?

O mal do Palmeiras foi acreditar que tinha um supertime, estruturado em Diego Souza, Pierre e Cleiton Xavier. São bons jogadores, não fora de série. Aliás, estupendo nenhum jogador do Palmeiras é. Desde 2009, a equipe alterna bons e maus momentos. Houve fase em que os bons superavam os ruins e o Palmeiras ia. Agora, a balança parece desnivelada. O Palmeiras tem surtos de equipe grande, a ver a espetacular performance diante do Santos. Mas não consegue ser mais do que isso. Falta talento, faltam peças de reposição, falta treinamento. O Palmeiras tem um limite e ele foi achado muito cedo. Aos palmeirenses, um consolo. Com exceção do Santos, nenhum outro time do futebol brasileiro está especialmente brilhante. Como os que parecem um pouquinho melhor ainda estão na disputa da Libertadores, a equipe alviverde tem uma chance não desprezível de seguir adiante na Copa do Brasil, a competição que realmente vale para os palmeirenses neste primeiro semestre.

Faltou combinar com os russos

Diz a lenda (porque ninguém prova a veracidade) que certa feita um treinador da seleção brasileira combinou a melhor forma de derrotar os adversários. Bastaria Garrincha driblar um, dois, três, quantos fossem necessários, e fazer o gol. Ao que o cândido personagem respondeu: mas já combinamos com os russos?
O Sâo Paulo havia feito um planejamento, que passava pela vitória sobre o Bragantino, menor responsabilidade diante do Corinthians e viagem para o jogo que vale, diante do Monterrey, no México.
Aviso importante: se não ganhar do time mexicano, o São Paulo corre sério risco de não se classificar para a segunda fase da Libertadores, o campeonato que lhe rende prestígio, dinheiro e permite "abafar as crises".
O tal planejamento só não deu certo por uma razão: não combinaram com o adversário. O Bragantino, time absolutamente mediano, que não tinha nada a ver com isso, aproveitou e tascou 1 a 0 no clube paulista.
A equipe tricolor parece meter os pés pelas mãos. Não consegue manter um esquema tático, não consegue dar um padrão para a equipe, não consegue repetir escalação, não prioriza de fato nenhuma competição, não consegue evoluir. Carrega para o CT uma crise desnecessária. Se ganhar as próximas duas partidas, tudo será perdoado no Morumbi. Se perder as duas, arrisco dizer que a cabeça do treinador será colocada precocemente a prêmio _e, diferentemente da era Muricy, com chances de se concretizar.

sábado, 20 de março de 2010

Genial

A invasão da torcida colorada na Libertadores. Deu em praticamente nada, mas foi bonita.